Estaria o Twitter roubando?

Foi noticiado novamente a grande e intensa presença dos brasileiros nas rede sociais. Ontem a TIME publicou um artigo intitulado: Why Is Twitter So Popular in Brazil? Ele era baseado em uma pesquisa realizada no mês de outubro pela ComScore dizendo que 23% dos usuários brasileiros, comparados com 11,9% dos americanos, visitaram o Twitter no mês de agosto, esta é a maior participação, ou a mais intensa, de todo o mundo. O argumento fica ainda mais sólido quando citam uma pesquisa do Mashable demonstrando que, em época de eleições brasileiras, nós somos os mais presentes do mundo no Twitter.

O artigo defendia que o Twitter conseguiu ter uma grande aceitação porque ele não incitava uma segmentação por classe, não sendo percebido como algo somente para rico. Segundo Gabe Simas, que deu entrevista para o veículo americano, o grande motivo da popularidade do Twitter no Brasil é que ele permitiu que as pessoas normais pudessem ter contato direto com seus ídolos.

O mesmo artigo ainda cita exemplos de trending topics globais, mas de interesse brasileiros, como o nome Senhora Aparecida durante os festejos do dia 12 de outubro, onde ele ficou na frente de diversas fofocas americanas. O que não me surpreende nada, já que a principal característica do brasileiro é gostar de se comunicar, a maioria quer ter seus 0,0015 milésimos de fama e, além disso, temos uma imensa base da classe média e média-baixa que possue acesso livre e democrático à internet; fato esse que não é apresentado nos EUA, como o próprio artigo comenta.

Eu fiquei intrigado com a conclusão e me perguntei por que a maioria dos trending topics globais não são brasileiros? Fiz um teste rápido com uma amostra sem relevância estatística mas que poderia gerar alguns insights. Eu comparei os termos “Beyonce Pregnant” e “Pocus” (de hocus pocus), que ontem eram um dos principais trending topics globais, com “MTV20anos” (TT no Brasil) e “Dilma” (que não aparecia em nada).

Com 1 minuto, existiam 112 tweets para “Beyonce Pregnant”, 71 para “Pocus”, 59 para “MTV20anos” e 78 para “Dilma”. Em 5min, tinha-se 687, 374, 345, 531, respectivamente; com 10min tinha-se 1115, 672, 645 e 907; com 30min: 3696, 1882, 2750 e 3101; e, com 50 min: 5489, 2535, 4158 e 4676. A minha mensuração teve diversos fatores que contribuem para um aumento da margem de erro (fuso horário, ferramenta disponível, etc). Mas o que posso concluir é que o termo “Dilma” teve uma frequencia próxima ao principal TT Global “Beyonce Pregnant”, maior que o TT global “Pocus” e maior que o TT Brasil “MTV20anos”, entretanto, em um período maior que 2 horas (tempo que escrevi o post) em nenhum momento o termo apareceu entre qualquer trending topics, nem mesmo no brasileiro.

Buscando os critérios que levam um termo a ser trending topics, achei um post que se baseia nos estudos do Mike Arauz onde diz que se um termo tem mais de 20 ocorrências por minuto, ele tem o suficiente para ser trending topic. A “Dilma” teve mais de 80 ocorrências por minuto, durante mais de 1 hora.

Não tenho argumentos e provas suficientes para chegar em conclusões, os números apresentados apenas fazem com que eu levante o questionamento se o trending tropics global não é moldado para americano gostar e permanecer no Twitter? Na minha opinião, depois de algumas desistências de celebridades do mundo da tecnologia e de fora dela, imagino que, caso eles sintam o poder da “favelização” na sua ferramenta preferida, será o tipping point para uma grande desistência de usuários americanos, fortemente reforçada pelos artigos da TIME.

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