Drama

As marcas que buscam contar histórias precisam ser dramáticas e ter seus próprios conflitos. Todas grandes histórias que ouvimos desde tempos utilizam do drama e de seus altos e baixos para nos fazer entrar na história e, a partir dessa colisão de ideias, chegarmos a novos significados mesmo que em sua maioria metafóricos.

A utilização de conflitos nas histórias existe desde que surgiram os grandes contadores de histórias. Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga (aprox. 500 a.c), inovou ao aumentar o número de personagens em suas peças para que pudessem existir mais conflitos. Antes, o ator interpretava diretamente para a platéia.

A mais conhecida obra de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, conta a história de um jovem que se apaixona pela própria imagem e que, com a esperança de eternizá-la, vende sua alma. Não por acaso, o livro foi escrito em plena Era Vitoriana, onde a beleza surgia como o principal atributo para os aristocratas hedonistas do século XIX.

Um pouco mais tarde, o movimento modernista conflitava com o passado e as formas tradicionais para criar uma nova cultura. No Brasil, ele se tornou um marco com a Semana de Arte Moderna onde, entre diversos artistas, Manuel Bandeira e Mario de Andrade criticam e conflitam com o parnasianismo que estava no auge de sua reputação.

Atualmente, Where the wild things are é uma das histórias de conflitos mais belas. O menino Max, ao brigar com a mãe, fica furioso, foge pelo mar e encontra uma ilha repleta de monstros com personalidades distintas. A ilha é, na verdade, o lado selvagem de Max e, os monstros, suas personalidades e conflitos internos.

Acho um exercício interessante pensar como a atuação da marca na mídia social (e em outros meios) reflete sobre o que somos contra, sobre qual o nosso conflito. Isso ajuda a posicionar e gera desejo para que as pessoas consumam nossas histórias. A bíblia, uma das mais dramáticas de todas, cita: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.

Mas, talvez, o melhor estímulo para esses tempos de experimentação e dinamismo da internet venha do falecido Paulo Francis: apenas os idiotas não se contradizem. Ou seja, mesmo que não tenha certeza do seu conflito, dramatize seus tweets e posts, as histórias ficam muito mais interessantes!

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