Internet é carne de pescoço.

Há algum tempo atrás eu estava conversando com um amigo que trabalha na área comercial de um grande veículo de mídia, ele me contava dos esforços e investimentos da empresa em atuar no ambiente digital. Meu orgulho logo foi quebrado quando ele afirmou que, para alguém da área comercial como ele, internet é carne de pescoço: difícil de vender e engolir.

O pior de tudo é que tive que concordar. O ambiente digital é realmente um mau negócio quando o cardápio é composto somente de banner, post-pago, editorial, vinheta de vídeo ou diárias especiais que custam o preço de tv aberta, tem um connect rate de 20% e competem diretamente com o Google AdWords. Evoluindo a conversa, ele contou que seus trabalhos de sucesso eram desenvolver projetos junto com os clientes, pensando no produto e no público do anunciante, porém, ele não tinha muito tempo para criar esses projetos.

Não existe algo errado nessa cadeia? Será que a área comercial do veículo deveria pensar sozinho em projetos digitais? E quando que o maior filé dos últimos trabalhos de comunicação virou carne de pescoço?

Todos sabemos que o dinheiro regula essa cadeia e, para não ser mais um reclamando, venho através desse post mostrar que pensar na internet como plataforma de engajamento, aonde as pessoas são os personagens mais importantes, aonde vendemos valor através da experiência e utilidade ao invés de uma nova promessa pode, sim, também trazer dinheiro.

Recentemente, a comScore publicou um estudo entituldado The Power of Like, mostrando como as marcas Starbucks, Southwest e Bing são construídas e influenciam os fãs e os amigos dos fãs americanos no Facebook. Alguns dados chamaram mais atenção justamente pelo retorno ao investimento.

Os fãs da marca Starbucks no Facebook tem 418% mais propensão de visitar o site da marca do que os usuários de internet americanos de forma geral, já os amigos dos fãs, 230% a mais. Os fãs da Southwest tem 362% e os amigos dos fãs 165% mais propensão de visitar o site da empresa, sendo esse um segmento que tem o site como principal canal de vendas.

Em relação às vendas, os fãs da marca Starbucks compram com uma frequência 11% maior que os não fãs e gastam 8% a mais. Em relação ao Bing e sua ferramenta de busca, seus fãs realizam 68% mais buscas e os amigos dos fãs 27%, sendo esse resultado também proporcional ao número de buscas, buscas por sessão e frequência de visitas.

Hussein Fazal é CEO da AdParlor, agência especializada na construção de comunidades no Facebook, ele afirma que o custo de conversão para uma campanha de um fã da marca representa 10% do custo de uma pessoa qualquer. E também afirma que a construção da marca se deve a partir da composição das mídias no Facebook, ou seja, o banner também é importante.

Eu concordo, banner e formatos do gênero tem um papel crucial na construção da marca, eles impactam muita gente, geram cobertura e vendem conceitos. Eu só não acredito que eles bastam para a construção de marca no digital. Na minha opinião, todos deveriam estar mais preocupados em como construir relacionamento com as pessoas e, apesar dos dados apresentados serem somente de Facebook, mostra que o ambiente digital só é carne de pescoço pra quem não sabe escolher e cozinhar com os melhores ingredientes.

Imagem de Zach K

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