Facebook é um droga?

Considero o Jonathan Harris um cara muito a frente do seu tempo e, por isso, muito inspirador. Conheci o trabalho dele pelo WeFeelFine e venho acompanhando sua produção desde então.

Recentemente ele publicou um ensaio chamado Modern Medicine que abriu mais minha cabeça para o fato de que a internet, e especialmente redes sociais, são um remédio e/ou uma droga.

A Serotonina é uma molécula disparada pelos neuro-transmissores que gera uma sensação de prazer. Quando tomamos vinho e comemos chocolate, liberamos serotonina. Quando usamos LSD e ecstasy, liberamos uma grande quantidade que em seguida diminui drasticamente, dando a sensação de depressão. Depressivos tem baixo índice de serotonina.

lsd kid

Assim como nos exemplos acima, a serotonina também é liberado quando sentimos conexão e intimidade. No Facebook, segundo JH, surgiu um jargão para esse fato: Where’s the serotonin in this design. Ou seja, como podemos causar uma sensação de intimidade ainda maior entre as pessoas.

Muitos softwares são desenhados para gerarem uma sensação de vício, onde pessoas voltem diversas vezes ao dia. Junto, temos um fator maior que se chama mercado e é regulado por dinheiro, principalmente quando temos empresas listadas na bolsa.

O mercado pressiona as companhias por resultado e este é comprovado por métricas. Como escreveu o Cavallini num post do Unplanned: “elas só precisam de uma medida estúpida para construir metas e ganhar bônus“.

Quando dependemos de uma remuneração por propaganda, a métrica acaba sendo relacionada a views e clicks. O problema é que viciar as pessoas nessas métricas está causando um transtorno e o Facebook uma droga.

Huffington Post publicou recentemente uma entrevista com uma menina americana onde uma de suas frases é She wasn’t in the group chat, so we stopped being friends with her.

A tecnologia está ficando cada vez mais presente e responsável pelas nossas vidas. JH defende criar um FDA (Food and Drug Administration) para softwares. No Brasil ainda nem conseguimos aprovar o Marco Civil na internet. No Brasil ainda estamos engatinhando no desenvolvimento de plataformas pelas agências de propaganda.

Eu acredito muito que esse é o caminho para o mercado se tornar sustentável, mas esse tema já me deixa desconfortável pela voracidade dos nossos empreendedores digitais.

Enquanto o futuro não chega com as interpretações do Jonathan Harris, eu prefiro ficar com o pensamento que desenvolver softwares éticos será a nova droga para educar uma geração saudável.

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