criatividade ≠ inovação

Vijay Govindarajan é professor de International Business e escreve no Harvard Business Review. Neste post ele conta que realizou uma pesquisa com diversos gerentes de empresas para questioná-los qual era a definição de inovação e muitos deles responderam algo associado com criatividade. No mesmo post, Vijay comenta que inovação não é criatividade. Criatividade diz respeito à ideias e inovação sobre como executá-las.

Lendo este post eu lembrei de uma pessoa que tem uma definição para tal idiossincrasia que acho genial, simples e no ponto, daqueles aforismos que levamos pra vida. Yves Behár, da Fuse Project, disse o seguinte: Ideia é conceito, inovação é processo.

O sujeito realmente tem moral pra falar. Ele foi responsável pelo One Laptop Per Child, Jawbone Bluetooth e, dando mais uma pesquisada ali e aqui, encontrei este case muito bacana, talvez o mais recente da Fuse, que realmente reflete o pensar na inovação como processo, em design como processo, em accountability, enfim, os vídeos falam por sí:

Case:

Explicação do Yves Béhar:

Carpintaria

Independente da forma que você utiliza as redes sociais, os social games já estiveram presentes na sua vida em algum momento, seja você que joga durante o dia-a-dia ou seus amigos que publicam atividades. Essas duas formas de engajamento, individual e social, são os principais motivadores para a utilização dos social games (como pesquisou a Raquel Recuero) e responsáveis pelos mais de 60 milhões de usuários mensais de FarmVille e mais de 20 milhões de usuários do Colheita Feliz, entre outros números que causam curiosidade.

Ian Bogost é um curioso pesquisador da área de games que chegou em algumas teorias sobre o assunto. Como ele mesmo afirma que entre teoria e prática existe um discurso panegírico, desenvolveu uma estratégia que ele chama de carpintaria. Ela consiste numa tentativa de destilar o gênero social games até a sua essência e depois trazê-lo de volta, vejam só, na forma de um game! O resultado disso é o Cow Clicker, um jogo de Facebook sobre jogos de Facebook. Ele define seu game como parte sátira, parte uma teoria jogável (playable theory) e parte um honesto exemplo do gênero.

O funcionamento do jogo é o seguinte, a cada seis horas você pode dar um clique na sua vaca, cada clique faz com que você ganhe mais cliques e você pode também clicar nas vacas dos seus amigos. Além disso, você pode comprar vacas premium através de micropragamentos chamados “mooney” e publicar todas suas atividades para seus amigos.

A teoria de Ian Bogost estará em “jogo” no próximo Game Developers Conference onde teremos debates com os principais desenvolvedores de games sobre os social games e sua “Fuck the Users Design Philosophy” como definida pelos “tradicional” game developers .

Não sei se a teoria de Ian se comprovará ao longo do tempo e, pra mim, isso não é tão importante. O mais bacana é a forma prática com que ele defende suas ideias, transformando algo pesado e denso em uma sátira conceitual e até mesmo artística. Acredito que o fato de utilizar todos os fatores de sucesso de um caso, não justifica que ele consiga ser exatamente replicado, a única coisa que realmente podemos comprovar é que o engajamento individual e o engajamento social, hoje em dia, fazem parte de qualquer carpintaria que queira fazer sucesso na internet.

Meio conteúdo

A revista Fast Company lança anualmente a lista 100 Most Creative People in Business. Entre essas 100 geniais pessoas, Zachary Lieberman me chamou muito a atenção por desenvolver um projeto genial com o tão criativo quanto, James Powderly, que está participando do Creators Project, projeto parceria da Intel com a revista Vice:

Na minha opinião, o EyeWriter é um perfeito exemplo de como deveria ser a utilização da tecnologia. Ela não é a grande protagonista, está a serviço das pessoas de maneira eficiente e simples. Uma vez li o artigo de um professor do MIT defendendo que quanto mais transparente for a tecnologia, mais próxima do seu ideal de consumo ela estará. Quando ligamos a televisão, fazemos o uso inconsciente, involuntário ou transparente de uma rede elétrica, assim será com a internet e assim será com o uso racional de qualquer nova tecnologia que quiser fazer parte da nossa sociedade de maneira sólida.

Na publicidade, a tecnologia deveria ser percebida como algo secundário também. Pessoas são e sempre serão os grandes protagonistas das histórias mais bacanas, independente de sua forma. A Toyota provavelmente conheceu o trabalho do Zachary Lieberman e quis utilizá-lo. Entretanto, na minha opinião, eles simplesmente esqueceram de pensar nas pessoas:

Contemporâneo descobrimento

O infográfico do Facebook feito pela Visual Economics mostra a magnitude da rede social. Mais de 500 milhões de usuários, 200 milhões deles acessam diariamente, 70% utilizam aplicativos, a fan page do Michael Jackson tem 13.3 milhões de fãs, existem mais de 62 milhões de usuários mensais de Farmville, entre outras “oportunidades” de comunicação para o nosso mercado:

A grande dúvida é se devemos comunicar uma marca para o público brasileiro através do Facebook. Analisando os usuários presentes de acordo com o Facebakers, que coleta dados a partir do Facebook Statistics, no Brasil existem menos de 5 milhões de usuários, isso significa uma penetração de 7% dos nossos usuários online e apenas 2,48% de toda nossa população.

Putz, que apunhalada esses números do Brasil, inferiores a Argentina, Colômbia, Venezuela e Chile! Felizmente, existem outras informações que são muito mais representativas no mundo digital, principalmente relacionadas ao público, como ciclo de influência, motivações de relacionamentos, nível de participação, entre outras. Ainda não existem análises consagradas e seguras de sucesso para o universo online, temos ainda poucos cases em um ambiente de constante mudança, mas é nesses momentos que sobressai a intuição e a vontade da descoberta, nesses momentos que temos as grandes “oportunidades”.

Chão de fábrica.

Todos nós já ouvimos histórias sobre o modelo T de Ford e alguns de seus ensinamentos: “Se eu perguntasse as pessoas o que elas gostariam, teriam me dito que queriam um cavalo mais rápido“. Além do aforismo bacana, o carro também podia ser consertado sozinho, era democrático e acessível para os próprios operários da fábrica, que trabalhavam no inovador modelo de linha de montagem, etc.

Uma das práticas mais difundidas foi essa última, a linha de montagem. Copiada, adaptada e encenada, acusada pelos recursos humanos, resignificada pelos japoneses e ainda praticada. Sim, ela é muito praticada por diversas indústrias pois estabelece uma forma prática de padronização de processo porque simplesmente limita ele. A probabilidade de erro é menor quando temos menos espaço pra isso, certo!?

Mas hoje vivemos na era do pós-hiper-homo-gastro valorização das pessoas, como é possível que criminosos ainda pensem nesse formato? Então, ouvi essa pista em uma discussão no Creativity com o estrategista da BigSpaceship, @ivanovitch: “One thinks about things and actually doesn’t do anything and the other does things but actually doesn’t think about anything. And at Big Spaceship what’s been really wonderful is that because everyone works on stuff together that doesn’t happen, everyone is responsible for thinking about what they are doing and making the things we think about happen“.

Comecei a pensar se nossa indústria não vive uma espécie de linha de montagem: O cliente passa um briefing para o atendimento, que brifa o planejamento, que brifa a criação, que brifa mídia, que brifa a produção e, se tudo der certo, o consumidor vai engajar-se bem de acordo ao briefing.

Pessoas sempre se comprometeram com o que elas participam e são envolvidas. Numa indústria que vende idéias, a padronização faz muito mais sentido como cultura do que processo. Será que somos cúmplices de nós mesmos e não sabemos disso?

Aprender com Fracasso ou Sucesso?

Eis que eu estava garimpando algum aprendizado na internet e encontro um vídeo do Mr. Bogusky dizendo que ele não gosta de aprender com o Fracasso, ele prefere aprender com o Sucesso.

Achei muito bacana, mas antes de sair Twittando com link para #fb e #in, comecei a pensar o que realmente define um aprendizado, o que nos ajuda a evoluir, muda comportamento e adiciona conhecimentos e competências no nosso currículo. E percebi que uma parte representativa dos meus fracassos me ajudaram, sim, a evoluir e foram uma bela forma de aprendizado. E nas vezes que tive algum sucesso, encontrei diversos fatores que levo pra minha vida até hoje, fatores esses de grande aprendizado também.

Mas o que me chamou mais atenção foi que a busca por aprendizados provenientes de situações de sucesso foram mais difíceis de serem lembrados. Se foram em maior ou menor volume não vem ao caso, a questão que quero levantar é que não refletimos muito sobre nosso sucesso como refletimos sobre nosso fracasso. E acho que esse é o ponto determinante, o aprendizado vem com a reflexão.

Por quê a decada de 60 foi o ápice cultural brasileiro se tinha ditadura? Porque tínhamos que fazer de uma forma nova para ter sucesso, se não fracassaríamos. A seleção natural não defende que os mais adaptados são os que permanecerão, ou seja, os mais aptos ao aprendizado. Eu não estou defendendo uma forma de aprendizado ou outra, defendo que o fracasso nos estimula a refletir, ele é um indutor natural para isso pois coloca em jogo a nossa existência.

Ou seja, independente da fonte, acho que o importante é refletirmos, principalmente em tempos conservadores, otimistas e confortáveis que vivemos hoje. Ou seja, se o Mr. Bogusky não consegue viver sem o seu sucesso, então ele está mais que certo na sua forma de aprendizado.

Exercício estratégico em São Paulo I

São Paulo é uma miscelânia de sorobô. Uma mistura rica, pobre e quente. Ela é a farofa do Brazil Brasil.

A criatividade flui nas relações comerciais, que podem nos fazer rir ou ficar indignados por sermos brasileiros. Eis que no meu primeiro dia, fui pegar o ônibus na Marginal, com a parada lotada e com meu notebook 17″ mais HD seagate 20cm X 10cm e cabos. Dentro do ônibus é como revezamento, sai uma pessoa, dá-se um passo. Quando chega meu momento de passar na roleta dou R$4,00 para uma passagem de R$2,70 e escuto. – Não tem troco, espera aí… Olho pra trás pra voltar…

Quando aviso que a minha parada é a próxima, ela me dá o troco e deixa eu passar. Sendo que ninguém deu dinheiro, todos usam um cartão facilmente comprado em qualquer lotérica onde você coloca crédito.

Em São Paulo os que esperam são as pessoas de fora, os turistas, gringos que são assaltados pelo olhares dos manos, na melhor das hipóteses. Então, qualquer coisa que fores fazer, não espere! Tente se informar antes sobre o melhor método. Mas se fores pego de surpresa, chega entrando, saindo, descendo ou apertando, é preferível descer na parada errada com confiança do que descer desconfiado com a pessoa errada.