Marcas e storytelling

A Zurich University realizou uma série de entrevistas com os maiores pensadores da área de Storytelling. Henry Jenkins, autor de Convergence Culture e um dos entrevistados, organizou todos os vídeos das entrevistas no seu blog. Assita que vale a pena.

Duas entrevistas em especial chamaram muito a minha atenção, tanto pelas ideias levantadas como por suas aplicações na nossa realidade de trabalho com marcas. A primeira veio de Ian Condry, pesquisador do MIT, que conta sobre um estudo feito a partir dos animes, desenhos animados japoneses. Ele identificou uma diferença de estrutura onde a lógica de novos projetos desenvolvidos no oriente era constituído a partir de um personagem e dele discorriam os diferentes mundos que ele vivia e suas diferentes histórias. Enquanto que no lado ocidental, nossa estrutura parte da própria história.

Outro conceito legal foi trazido pelo Joe Lambert, da universidade de Berkeley. Ele conta que a apropriação da palavra storytelling não foi designada a partir da escrita, mas sim, da oralidade. Essa tem muito mais impacto nas novas mídias porque a essência de como escrevemos emails e mensagens é muito mais próxima da fala. Pensar na linguagem verbal e não verbal, como em um teatro, é mais importante do que a escrita para entender e aplicar o storytelling.

Na minha opinião, ambos acabaram de definir dois importantes conceitos de como uma marca deve ser manifestada. O primeiro remete muito à posicionamento e identidade de marca que, independente da campanha ou história que ela está contando, não pode nunca perder sua essência e sua personalidade. A segunda diz respeito à forma como comunicamos, pessoas interagem e confiam em outras pessoas e não em empresas. Agora, cabe às marcas tentarem contar suas histórias, ou melhor, seu personagem (persona) e as histórias que surgem a partir dele.

O novo luxo

Até que ponto queremos colocar em jogo nossa privacidade nas redes sociais? Domenico De Masi diz que luxo é o raro, se hoje tempo e espaço são raros, esses são os luxos modernos. Mas será que privacidade nas redes sociais também será apenas para poucos? Bom, se depender dos estudantes Daniel, Maxwell, Raphael e Ilya, além de Mark Zuckerberg e investidores que estão apostando no Diaspora Project, não!

O Diaspora consiste em uma rede social onde o usuário tem todo o controle dos seus dados. Ela é descentralizada, isso quer dizer que as informações não serão direcionadas para um servidor central e depois distribuídas (como ocorre com o próprio Facebook), mas seu caminho será direto entre os usuários que se relacionam, como na vida real. Além disso, ela é open source, deixando a cargo do usuário decidir qual conteúdo adicionar, disseminar e pra quem disseminar. Espera-se que eles também façam uma plataforma tipo Blogger ou WordPress para facilitar e popularizar o gerenciamento da rede social.

Na minha opinião, a grande e válida discussão é como facilitar a vida do usuário sem ser invasivo, como ser automático sem ser excessivo. Hoje podemos dar check-in com nosso Nike +, atualizar redes sociais com o autoshare do Youtube e muitos outros exemplos. Será que ter o controle total sobre nossos dados virou algo raro?