Quero uma Barbie.

Em um mundo plano e com as mesmas referências, uma parcela da diferenciação surge de um consumo diferente de informação, sem preconceito, estereótipos, superficialidades e futilidades: a Barbie. Ela lançou uma promoção para o verão americano com duas inovações muito interessantes, promoção 2 em 1:

A primeira, que na verdade é mais uma ideia criativa, está na utilização do Foursquare, ferramenta pop do momento e que já vale quase 100 milhões de dólares. Tanto ele como o Gowalla refletem esse momento do consumidor como o tomate seco da vez, beneficiando mayors e ajudando a tornar a personalidade digital das pessoas mais interessante (ou não) através dos badges. Mas a marca foi no sentido inverso e, ao invés de estimular os usuários a darem check-in nos lugares, ela passou a dar check-in aonde estaria e as pessoas tinham que ir até lá para ganhar brindes. Nada novo e muito óbvio, já que a marca é um personagem. Mas pelo fato de ir no sentido contrário de como as marcas estavam utilizando a ferramenta, vale a reflexão sobre uma nova referência mesmo que consumida por todos. Aqui segue o vídeo da Promoção:

A outra, e essa sim uma grande inovação, está no produto. Depois de diversos lançamentos com todas cores de pele, cabelo, roupas e namorados; a Barbie navega a favor dos ventos tecnológicos e lança uma boneca com uma câmera fotográfica dentro, onde as meninas (ou meninos) podem tirar fotos a partir da boneca e descarregá-la no computador. Em um momento em que se fala de internet ubiquida para talvez daqui a 5 anos, já vemos pequenas manifestações de como isso poderia ser praticado.

Aqui segue o vídeo da promoção:

Digital como centro

A constante mudança que vivemos torna a definição do presente algo sempre incompleto. Conseguimos definir o espírito do nosso tempo não por manifestações e mudanças culturais presentes, mas pelo seu reflexo no futuro. Por isso, não me atrevo a tentar falar sobre o futuro. O que venho propor nesse post é falar sobre a manifestação de uma tendência significativa na indústria, as campanhas centralizadas no digital.

Neste momento, estamos presenciando a votação do Tomorrow Awards, uma premiação que propõe a quebra de barreiras tecnológicas através da criatividade publicitária, como defendido por eles. O mais interessante é que essa manifestação não é própria das agências digitais, observando o shortlist, vemos a presença de diversos grandes grupos de comunicação que, através ou não de agências digitais fundidas, compradas ou associadas, desenvolvem excelentes trabalhos.

Deifinitivamente, existe um caminho estrutural de campanha sendo perseguido e algumas tentativas muito bem realizadas, como a Parallel Lines da Philips, realizada pela TribalDDB de Amsterdã, uma entre o shortlist da Tomorrow Awards. Neste caso, a campanha tem o propósito de lançar a nova série de televisores Philips, o que conta com uma boa verba para filme. E foi exatamente isso que eles fizeram, mas ao invés dos 30”, eles criaram 5 curtas com um mesmo diálogo, mas com técnicas, estéticas e histórias totalmente diferentes, entregando o conceito “There are millions of ways to tell a story. There’s only one way to watch one” de forma muito mais perene, interativa e participativa.

Talvez o caminho criativo fazia jus à essa centralização ou o público desse produto seja de cinéfilos e geeks, amantes de tecnologia que fazem questão de um televisor com internet e de interagir pela web. Independente, o que pode ser percebido é uma familiaridade cada vez maior com a internet por parte dos “stakeholders” da definição estratégica, avalizando cada vez mais a sua centralização. Talvez, já estejamos vivendo algum reflexo do futuro.