O novo luxo

Até que ponto queremos colocar em jogo nossa privacidade nas redes sociais? Domenico De Masi diz que luxo é o raro, se hoje tempo e espaço são raros, esses são os luxos modernos. Mas será que privacidade nas redes sociais também será apenas para poucos? Bom, se depender dos estudantes Daniel, Maxwell, Raphael e Ilya, além de Mark Zuckerberg e investidores que estão apostando no Diaspora Project, não!

O Diaspora consiste em uma rede social onde o usuário tem todo o controle dos seus dados. Ela é descentralizada, isso quer dizer que as informações não serão direcionadas para um servidor central e depois distribuídas (como ocorre com o próprio Facebook), mas seu caminho será direto entre os usuários que se relacionam, como na vida real. Além disso, ela é open source, deixando a cargo do usuário decidir qual conteúdo adicionar, disseminar e pra quem disseminar. Espera-se que eles também façam uma plataforma tipo Blogger ou WordPress para facilitar e popularizar o gerenciamento da rede social.

Na minha opinião, a grande e válida discussão é como facilitar a vida do usuário sem ser invasivo, como ser automático sem ser excessivo. Hoje podemos dar check-in com nosso Nike +, atualizar redes sociais com o autoshare do Youtube e muitos outros exemplos. Será que ter o controle total sobre nossos dados virou algo raro?

E o marketing das redes sociais?

Uma definição bacana que ouvi esses dias sobre sites de redes sociais é que eles se posicionaram como uma loja one-stop-shop, tipo hipermercados com chaveiro, lavanderia, veterinária, tudo. Nós vamos nesses estabelecimentos ou sites não porque eles oferecem o melhor serviço (IM, fotos, games), mas pela conveniência de ter tudo no mesmo lugar, com apenas um login.

O MySpace é um desses sites e ele vem perdendo grande participação no mercado. Fechou as portas no Brasil e sua situação está péssima nos EUA. Seus usuários únicos caíram de 127 milhões em abril de 2009 para 111 milhões em abril deste ano, enquanto o Facebook cresceu de 307 milhões para 519 milhões no mesmo período (ComScore). Essa fase fez com a empresa comprada por $650milhões tomasse medidas mais efusivas, eles contrataram a agência de São Francisco, Pereira O’Dell, para reposicionar a marca e fazer a sua primeira grande campanha de comunicação. Mas será ainda em tempo:

Esse desafio é um tanto estimulante para qualquer um que realmente gosta de trabalhar com comunicação. Na real, eles não estão tão fudidos assim, o Facebook está envelhecendo muito no país americano e ficando meio careta. Além disso, o MySpace já tem uma veia de nicho musical muito forte e essa identidade, na minha opinião, deve permear o reposicionamento da empresa, principalmente equanto o Facebook não cria nada no segmento musical para sua super one-stop-shop. Em momentos de crise na indústria fonográfica, nada melhor que uma empresa moderna e com a costa quente de um grande grupo de comunicação liderar essa mudança, renovar design e usabilidade, oferecer ferramentas para que os músicos trabalhem suas marcas pessoais e, por que não, artistas de outras áreas como dança, teatro, enfim… eles tem uma base sólida para vídeos também.

Agora, trazendo um pouco para o nosso mercado, a situação do MySpace não é muito parecida com a do Orkut? Ainda não tivemos crescimento negativo na rede social do Google, principalmente pela entrada de classes mais baixas e pessoas de meia idade. Mas, e se fosse o caso? Seria possível posicionar o Orkut como uma rede social de nicho? Ou existe a possibilidade de competir de frente com Facebook, sendo que milhares de usuários já migraram, inclusive muitos dos que leem este post? Pensando dessa forma, acho a situação do MySpace incrivelmente mais confortável.

Qual é sua história?

Esses dias eu estava vendo essa apresentação sobre Social Media e um slide me chamou muita atenção. Era um tweet onde @xHollyo dizia: Social media is about getting others to tell our stories for us. Na primeira leitura parece um pouco complicado, mas numa interpretação da tradução do Google, seria algo como: Social media é fazer com que os outros contem nossas histórias pra gente.

Até poucos anos atrás não existia uma forma de interação com os meios, éramos passivos e espectadores. Em tempos da publicidade de engajamento, as marcas passaram a dar possibilidades e incentivar a interação dos usuários. Com o grande crescimento dos sites de redes sociais, em especial Facebook, as marcas passaram a criar os ambientes e os incentivos de interação entre os usuários e os amigos dos usuários. Seja através de games, promoções ou propósitos sustentáveis.

Hoje temos o grande desafio da atenção e estamos vivendo uma verdadeira revolução na forma com que consumimos e compartilhamos informação, é inegável que a experiência está mudando. A única coisa que não muda são as pessoas e suas motivações. Sempre consumiremos conteúdos relacionados ao nosso entorno, sobre nós mesmos e nossos interesses, sobre as histórias parecidas com as nossas e sobre o que nossos amigos pensam sobre nossas histórias.

Contemporâneo descobrimento

O infográfico do Facebook feito pela Visual Economics mostra a magnitude da rede social. Mais de 500 milhões de usuários, 200 milhões deles acessam diariamente, 70% utilizam aplicativos, a fan page do Michael Jackson tem 13.3 milhões de fãs, existem mais de 62 milhões de usuários mensais de Farmville, entre outras “oportunidades” de comunicação para o nosso mercado:

A grande dúvida é se devemos comunicar uma marca para o público brasileiro através do Facebook. Analisando os usuários presentes de acordo com o Facebakers, que coleta dados a partir do Facebook Statistics, no Brasil existem menos de 5 milhões de usuários, isso significa uma penetração de 7% dos nossos usuários online e apenas 2,48% de toda nossa população.

Putz, que apunhalada esses números do Brasil, inferiores a Argentina, Colômbia, Venezuela e Chile! Felizmente, existem outras informações que são muito mais representativas no mundo digital, principalmente relacionadas ao público, como ciclo de influência, motivações de relacionamentos, nível de participação, entre outras. Ainda não existem análises consagradas e seguras de sucesso para o universo online, temos ainda poucos cases em um ambiente de constante mudança, mas é nesses momentos que sobressai a intuição e a vontade da descoberta, nesses momentos que temos as grandes “oportunidades”.

Ontem e Hoje

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Ontem, sindicatos integrantes do fórum dos servidores públicos fizeram uma manifestação na Assembléia Legislativa utilizando banners contra o Governo Yeda. Os mesmos banners já tinham sido utilizados em outra manifestação e, da mesma forma, foram retirados pelos seguranças do governo por conter mensagens ofensivas, aos gritos de “abaixo a ditadura” por parte dos manifestantes.

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Ontem, o governo Chinês proibiu o Twitter, Flickr, Bing, Blogs e outras redes sociais e, anteriormente, já tinha proibido YouTube, Blogger e WordPress (esse no qual escrevo).  Pelo que li, o governo chinês quer calar os manifestantes e impedi-los de se organizarem para o aniversário de 20 anos do massacre na Praça Celestial, o Tiananmen, onde 100.000 estudantes protestaram contra a repressão e corrupção do Partido Comunista, que respondeu com uma série de mortes, alguns dizem 400 e outros 10.000.

Ontem, a comunicação era impreterivelmente presencial, uma manifestação poderia ter diversos tons ou ideais, mas as pessoas tinham que se unir fisicamente, gritar o mais alto possível, ecoar por toda a cidade para que mais pessoas se juntassem e a causa ganhasse proporções tamanhas, a ponto de que o barulho impossibilitasse o sono de quem dorme na torre mais alta do castelo.

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Hoje, a comunicação é em nuvem, o boca-a-boca é exponencial e a presença física não é mais necessária para causar alguma mudança. Temos milhares de ferramentas à disposição, elas são fáceis de usar, não impedem tons difamatórios e custam muito menos que um banner.

Hoje, é impossível vetar qualquer tipo de aproximação de pessoas, troca de arquivos, protestos, manifestações, sarcasmos… No Brasil ainda temos uma cultura muito aberta e com direito de expressão. (Galera, a ditadura já se foi e bem antes da fita K7!). Na China, o governo é muito mais culhudo, mas não impede que aplicativos, tipo TweetDeck, sejam rodados e que a conversa continue.

Mesmo assim, por aqui, a manifestação foi um sucesso, ganhou a página 10 da Zero Hora e tal. Então, será que está tão fácil assim? Por que todo mundo não protesta? Ou são pessoas que tem coisas mais importantes para fazer como, por exemplo, escrever um blog, subir fotos do último churras, combinar o próximo, xingar as companhia telefônicas pelo Twitter ou falar com amigos gringos pelo Facebook?