Marcas e storytelling

A Zurich University realizou uma série de entrevistas com os maiores pensadores da área de Storytelling. Henry Jenkins, autor de Convergence Culture e um dos entrevistados, organizou todos os vídeos das entrevistas no seu blog. Assita que vale a pena.

Duas entrevistas em especial chamaram muito a minha atenção, tanto pelas ideias levantadas como por suas aplicações na nossa realidade de trabalho com marcas. A primeira veio de Ian Condry, pesquisador do MIT, que conta sobre um estudo feito a partir dos animes, desenhos animados japoneses. Ele identificou uma diferença de estrutura onde a lógica de novos projetos desenvolvidos no oriente era constituído a partir de um personagem e dele discorriam os diferentes mundos que ele vivia e suas diferentes histórias. Enquanto que no lado ocidental, nossa estrutura parte da própria história.

Outro conceito legal foi trazido pelo Joe Lambert, da universidade de Berkeley. Ele conta que a apropriação da palavra storytelling não foi designada a partir da escrita, mas sim, da oralidade. Essa tem muito mais impacto nas novas mídias porque a essência de como escrevemos emails e mensagens é muito mais próxima da fala. Pensar na linguagem verbal e não verbal, como em um teatro, é mais importante do que a escrita para entender e aplicar o storytelling.

Na minha opinião, ambos acabaram de definir dois importantes conceitos de como uma marca deve ser manifestada. O primeiro remete muito à posicionamento e identidade de marca que, independente da campanha ou história que ela está contando, não pode nunca perder sua essência e sua personalidade. A segunda diz respeito à forma como comunicamos, pessoas interagem e confiam em outras pessoas e não em empresas. Agora, cabe às marcas tentarem contar suas histórias, ou melhor, seu personagem (persona) e as histórias que surgem a partir dele.

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Dia dos Pais

Eu me impressiono muito como o Futebol emociona e move toda uma cultura. Na verdade, ele é até mais forte que isso porque perdura por muito mais tempo, transcende o zeitgeist e não existe tecnologia ou natureza que o mude, futebol é futebol.

Logicamente, a comunicação se apropria disso, como mostra todas as campanhas desenvolvidas pelos clubes e os bonitos anuncios veiculados na zero hora de domingo. O gremista é da SLM, o colorado é da Novacentro:

gremio inter

E eles se apropriam de uma forma que é muito eficiente, depositando toda a emoção e motivação que treme a arquibancada em um aspecto próprio das marcas dos clubes, que é justamente fazer parte de um deles, uma necessidade social e vital na vida das pessoas.

A minha dúvida é se não poderiamos fazer muito mais pelos clubes em termos de comunicação. Ok, eles não tem fins lucrativos, o que deve reduzir muito a verba mas, por outro lado, existem milhares de advogados da marca que a defendem em qualquer rede social, online ou offline. Quem não conhece algum tio-do-amigo-do-cunhado-do-vizinho que infartou vendo futebol? Existe alguma história parecida com Coca, Nike ou Google? Fala aí!