O novo luxo

Até que ponto queremos colocar em jogo nossa privacidade nas redes sociais? Domenico De Masi diz que luxo é o raro, se hoje tempo e espaço são raros, esses são os luxos modernos. Mas será que privacidade nas redes sociais também será apenas para poucos? Bom, se depender dos estudantes Daniel, Maxwell, Raphael e Ilya, além de Mark Zuckerberg e investidores que estão apostando no Diaspora Project, não!

O Diaspora consiste em uma rede social onde o usuário tem todo o controle dos seus dados. Ela é descentralizada, isso quer dizer que as informações não serão direcionadas para um servidor central e depois distribuídas (como ocorre com o próprio Facebook), mas seu caminho será direto entre os usuários que se relacionam, como na vida real. Além disso, ela é open source, deixando a cargo do usuário decidir qual conteúdo adicionar, disseminar e pra quem disseminar. Espera-se que eles também façam uma plataforma tipo Blogger ou WordPress para facilitar e popularizar o gerenciamento da rede social.

Na minha opinião, a grande e válida discussão é como facilitar a vida do usuário sem ser invasivo, como ser automático sem ser excessivo. Hoje podemos dar check-in com nosso Nike +, atualizar redes sociais com o autoshare do Youtube e muitos outros exemplos. Será que ter o controle total sobre nossos dados virou algo raro?

Qual é sua história?

Esses dias eu estava vendo essa apresentação sobre Social Media e um slide me chamou muita atenção. Era um tweet onde @xHollyo dizia: Social media is about getting others to tell our stories for us. Na primeira leitura parece um pouco complicado, mas numa interpretação da tradução do Google, seria algo como: Social media é fazer com que os outros contem nossas histórias pra gente.

Até poucos anos atrás não existia uma forma de interação com os meios, éramos passivos e espectadores. Em tempos da publicidade de engajamento, as marcas passaram a dar possibilidades e incentivar a interação dos usuários. Com o grande crescimento dos sites de redes sociais, em especial Facebook, as marcas passaram a criar os ambientes e os incentivos de interação entre os usuários e os amigos dos usuários. Seja através de games, promoções ou propósitos sustentáveis.

Hoje temos o grande desafio da atenção e estamos vivendo uma verdadeira revolução na forma com que consumimos e compartilhamos informação, é inegável que a experiência está mudando. A única coisa que não muda são as pessoas e suas motivações. Sempre consumiremos conteúdos relacionados ao nosso entorno, sobre nós mesmos e nossos interesses, sobre as histórias parecidas com as nossas e sobre o que nossos amigos pensam sobre nossas histórias.

Carpintaria

Independente da forma que você utiliza as redes sociais, os social games já estiveram presentes na sua vida em algum momento, seja você que joga durante o dia-a-dia ou seus amigos que publicam atividades. Essas duas formas de engajamento, individual e social, são os principais motivadores para a utilização dos social games (como pesquisou a Raquel Recuero) e responsáveis pelos mais de 60 milhões de usuários mensais de FarmVille e mais de 20 milhões de usuários do Colheita Feliz, entre outros números que causam curiosidade.

Ian Bogost é um curioso pesquisador da área de games que chegou em algumas teorias sobre o assunto. Como ele mesmo afirma que entre teoria e prática existe um discurso panegírico, desenvolveu uma estratégia que ele chama de carpintaria. Ela consiste numa tentativa de destilar o gênero social games até a sua essência e depois trazê-lo de volta, vejam só, na forma de um game! O resultado disso é o Cow Clicker, um jogo de Facebook sobre jogos de Facebook. Ele define seu game como parte sátira, parte uma teoria jogável (playable theory) e parte um honesto exemplo do gênero.

O funcionamento do jogo é o seguinte, a cada seis horas você pode dar um clique na sua vaca, cada clique faz com que você ganhe mais cliques e você pode também clicar nas vacas dos seus amigos. Além disso, você pode comprar vacas premium através de micropragamentos chamados “mooney” e publicar todas suas atividades para seus amigos.

A teoria de Ian Bogost estará em “jogo” no próximo Game Developers Conference onde teremos debates com os principais desenvolvedores de games sobre os social games e sua “Fuck the Users Design Philosophy” como definida pelos “tradicional” game developers .

Não sei se a teoria de Ian se comprovará ao longo do tempo e, pra mim, isso não é tão importante. O mais bacana é a forma prática com que ele defende suas ideias, transformando algo pesado e denso em uma sátira conceitual e até mesmo artística. Acredito que o fato de utilizar todos os fatores de sucesso de um caso, não justifica que ele consiga ser exatamente replicado, a única coisa que realmente podemos comprovar é que o engajamento individual e o engajamento social, hoje em dia, fazem parte de qualquer carpintaria que queira fazer sucesso na internet.